- What the story?
- Not too bad. Getting drunk, you know?
-Grand.
- See ya
- See ya
Para o portugues:
- E ai, beleza?
- Sussa. Na mesma.
- Legal!
- Nos vemos, entao.
- Tchau.
Apresento a vocês um pouco dessa vida que é minha e dos outros. Mas, antes de ler os relatos que seguirão, fique atento aos seguintes pormenores: 1) Essas histórias serão contadas por uma narradora devota dos grandes prazeres e com grande vocação para o ócio. 2) A dedicatória é exclusividade das grandes almas, que amam tanto os vícios como as virtudes. 3) Eles não serão do jeito que eu desejava, pois a vida a qual me refiro, se não fosse fato, mas ficção, seria mais pasto e menos frigorífico.
domingo, 30 de março de 2008
Summer time
Hoje, entramos no horario de verao na Europa. Como eu nao sabia, cheguei uma hora atrasada no trabalho. Mas, tambem, como eu ia imaginar? Estava nevando semana passada!
Logo, ja indiquei o culpado pelo meu pequeno erro de fuso quando encontrei o meu chefe. O aquecimento global. Claro!
Logo, ja indiquei o culpado pelo meu pequeno erro de fuso quando encontrei o meu chefe. O aquecimento global. Claro!
quarta-feira, 26 de março de 2008
Coisas que acontecem em todos os lugares do mundo (parte1)
1) Ficar sem meias. Isso eu achei que iria resolver aqui. Tem uma loja no caminho de casa, uma maravilha, chama Penneys (fala-se Penis. hehehehe) que vende um conjunto com 5 meias por 3 euros. Nunca comprei. E já faz um dois meses que ando sentindo muita falta do assessório.
2) Se queimar com a água do chuveiro quando alguém toca a descarga. Isso (pasmem) acontece no primeiro mundo também.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Pat's Day!
Succat (que nasceu na Escocia) foi vendido como escravo na Irlanda aos 16 anos. Desde entao: trabalhou, escapou, virou padre, bispo, mudou de nome para Patricio (Patrick), voltou para a Irlanda, expulsou as cobras da ilha e converteu o pais ao cristianismo. Morreu no dia 17 de marco.
Quer razao melhor para beber e comemorar?
Quer razao melhor para beber e comemorar?
quarta-feira, 5 de março de 2008
Seu "Garda", me prende?

Estes dias saí com uns amigos para entregar alguns currículos pela cidade e, depois de passarmos por um carro da polícia (Garda), foi impossível não comentar uma das coisas mais impressionantes aqui de Dublin. Um dos principais critérios de seleção dos oficiais deve ser a beleza, pois eles são, na sua grande maioria, MUITO bonitos.
O serviço prestado é pouquíssimo requisitado. Na maior parte do tempo eles se ocupam em tarefas menores como pedir que os transeuntes não consumam bebidas alcoólicas em espaços públicos, ajudar velhinhas a atravessarem a rua e conversar. Como conversam esse pessoal. São, segundo um amigo meu, os verdadeiros psicólogos da Irlanda.
O discurso é sempre o mesmo. Explicam que a vida é grande, que devemos tentar ser pessoas melhores, que as drogas não levam a lugar nenhum, etc. Acalmam, ajudam, dão colo e conselhos. E, se repararmos, esse papel apaziguador é mesmo o principal, já que os chamados são motivados pelos mais prosaicos motivos. Briga de “flatmates”, namorados, vizinhos, bêbados...e por aí vai. Precisando de um juiz para saber quem tem a razão na discussão, entre uma cerveja e outra, chamem a Garda!
E são bonitos...UFA.
Essa semana (fofoca!) eles vieram algumas vezes aqui no meu prédio. Uma amiga polonesa do meu colega do ap. 78 acabou de separar do namorado que, aparentemente, não quer devolver a televisão (parece que é grande e de Plasma). Como ela está hospedada por aqui (no 78 e não na minha casa que é no 79), eles levaram e trouxeram alternativas para a solução do caso durante três visitas, já que os ex. amantes não deveriam ficar muito próximos um do outro. Não era prudente. Tudo indica que resolveram. Eles não voltaram mais, para infelicidade minha e dos outros condôminos.
Mas, em geral, eles ficam rondando as ruas sem muito o que fazer e adoram um pouco de emoção. Então, aqui, sempre que tem uma briga de bar em que são acionados, vêm acompanhados de uma ambulância e por vezes até dos Bombeiros. É o maior acontecimento. Um show de luzes e sirenes único, já que os fogos de artifício são proibidos no país.
E, como são lindos, a gente sempre sonha quando eles aparecem. Meu amigo que sempre comenta: “É a situação perfeita, ela (a Garda feminina) já vem uniformizada e com algemas. Só falta me prender”. Eu concordo em número e grau, só mudo o gênero, claro!
O serviço prestado é pouquíssimo requisitado. Na maior parte do tempo eles se ocupam em tarefas menores como pedir que os transeuntes não consumam bebidas alcoólicas em espaços públicos, ajudar velhinhas a atravessarem a rua e conversar. Como conversam esse pessoal. São, segundo um amigo meu, os verdadeiros psicólogos da Irlanda.
O discurso é sempre o mesmo. Explicam que a vida é grande, que devemos tentar ser pessoas melhores, que as drogas não levam a lugar nenhum, etc. Acalmam, ajudam, dão colo e conselhos. E, se repararmos, esse papel apaziguador é mesmo o principal, já que os chamados são motivados pelos mais prosaicos motivos. Briga de “flatmates”, namorados, vizinhos, bêbados...e por aí vai. Precisando de um juiz para saber quem tem a razão na discussão, entre uma cerveja e outra, chamem a Garda!
E são bonitos...UFA.
Essa semana (fofoca!) eles vieram algumas vezes aqui no meu prédio. Uma amiga polonesa do meu colega do ap. 78 acabou de separar do namorado que, aparentemente, não quer devolver a televisão (parece que é grande e de Plasma). Como ela está hospedada por aqui (no 78 e não na minha casa que é no 79), eles levaram e trouxeram alternativas para a solução do caso durante três visitas, já que os ex. amantes não deveriam ficar muito próximos um do outro. Não era prudente. Tudo indica que resolveram. Eles não voltaram mais, para infelicidade minha e dos outros condôminos.
Mas, em geral, eles ficam rondando as ruas sem muito o que fazer e adoram um pouco de emoção. Então, aqui, sempre que tem uma briga de bar em que são acionados, vêm acompanhados de uma ambulância e por vezes até dos Bombeiros. É o maior acontecimento. Um show de luzes e sirenes único, já que os fogos de artifício são proibidos no país.
E, como são lindos, a gente sempre sonha quando eles aparecem. Meu amigo que sempre comenta: “É a situação perfeita, ela (a Garda feminina) já vem uniformizada e com algemas. Só falta me prender”. Eu concordo em número e grau, só mudo o gênero, claro!
intolerância zero
Entrei em uma discussão em um fórum do ORKUT hoje sobre os casos de deportação de Brasileiros que foram impedidos de entrar na Europa. Em especial de uma física que foi barrada na Espanha.
Para alguns membros, eu nem deveria me dar o trabalho de argumentar contra o preconceito dos Brasileiros têm em relação à própria nacionalidade. Mas, há algo em mim que não se conforma.
Como pode uma pessoa renegar a condição que lhe é dada no nascimento. Para mim é como se rejeitássemos a nossa existência. – Digo isso com certa ironia, já que uma das manifestações mais intolerantes partiu de uma menina que cita em seu Perfil no site, entre os livros preferidos, uma obra de autoria do Sartre, e (como ela é muito “gringa”) com o título original em Francês.
Essa é uma das coisas que tem me chamado mais a atenção aqui na Irlanda: A enorme distância entre mim e a grande maioria dos brasileiros em iguais condições. Trabalhando e estudando em terras Celtas. Compartilhamos de pouquíssimos gostos ou opiniões. O que tem aumentado muito a minha sensação de solidão, que já é grande quando estamos no solo dos outros.
Outro motivo de grandes reflexões, antes mesmo de sair do Brasil, é a grande expectativa que rodeiam as nossas relações com os conterrâneos. Vi em diversos Fóruns na Internet, não só no Orkut, discussões acaloradas sobre decepções e desconfianças frutos dessa aparentemente intimidade lingüística e cultural. Nos organizamos em grupos homogêneos quando não estamos no nosso país, necessitamos dessa proximidade. Isso é fato. Mas, me parece uma busca pela referência um tanto antagônica, ao passo que, na grande maioria das vezes, rejeitamos, nas conversas que travamos, essa igualdade de origem.
Nos culpamos pelas nossas dificuldades apoiados no estereótipo do terceiro mundista, explorador de riquezas e empregos alheios. Do eterno sonhador, sem papéis, sem educação sem nenhum direito de estar lá. É ele, o explorador de empregos, o único culpado pela infelicidade da profissional brasileira, que foi impedida de entrar na Espanha na semana passada, e que, portanto, não pode participar do congresso como havia planejado.
Me pergunto de quando remete essa crença. Por que culpamos apenas o Brasil quando somos podados do nosso direito de ir e vir? E a Espanha, a Irlanda, a Alemanha ou mesmo os Estados Unidos? Não se aproveitam desses sonhadores? Não alimentam as prostitutas? E, será que não têm a sua parcela de culpa na não realização dos planos da profissional brasileira?
Mesmo não tendo a intenção de ficar aqui definitivamente, tenho vivido como imigrante neste país. Não há dúvida que para a classe média de São Paulo é uma situação bem desagradável. Me deparo constantemente com os meus limites, tanto nas relações desiguais de direitos e de emprego, quanto na falta das boas referências que deixei no meu país. Mesmo assim, não compartilho da idéia predominante entre meus colegas. Não consigo acreditar que essa sensação possa melhorar com o abandono das minhas raízes. Pelo contrário, eu não me conformo! E, sinceramente, por mim, realizaria o desejo de todos. Ficariam por aqui, vivendo a vida que eles chamam de européia. Assim, quando eu voltasse, o Brasil seria um lugar um pouco melhor de se viver. Mas, de vez em quando, eu viria visitá-los e sairíamos para tomar uma Guiness, só pelos velhos tempos. Porque, apesar das diferenças, ainda somos civilizados, e não existem PUBs como os daqui.
Para alguns membros, eu nem deveria me dar o trabalho de argumentar contra o preconceito dos Brasileiros têm em relação à própria nacionalidade. Mas, há algo em mim que não se conforma.
Como pode uma pessoa renegar a condição que lhe é dada no nascimento. Para mim é como se rejeitássemos a nossa existência. – Digo isso com certa ironia, já que uma das manifestações mais intolerantes partiu de uma menina que cita em seu Perfil no site, entre os livros preferidos, uma obra de autoria do Sartre, e (como ela é muito “gringa”) com o título original em Francês.
Essa é uma das coisas que tem me chamado mais a atenção aqui na Irlanda: A enorme distância entre mim e a grande maioria dos brasileiros em iguais condições. Trabalhando e estudando em terras Celtas. Compartilhamos de pouquíssimos gostos ou opiniões. O que tem aumentado muito a minha sensação de solidão, que já é grande quando estamos no solo dos outros.
Outro motivo de grandes reflexões, antes mesmo de sair do Brasil, é a grande expectativa que rodeiam as nossas relações com os conterrâneos. Vi em diversos Fóruns na Internet, não só no Orkut, discussões acaloradas sobre decepções e desconfianças frutos dessa aparentemente intimidade lingüística e cultural. Nos organizamos em grupos homogêneos quando não estamos no nosso país, necessitamos dessa proximidade. Isso é fato. Mas, me parece uma busca pela referência um tanto antagônica, ao passo que, na grande maioria das vezes, rejeitamos, nas conversas que travamos, essa igualdade de origem.
Nos culpamos pelas nossas dificuldades apoiados no estereótipo do terceiro mundista, explorador de riquezas e empregos alheios. Do eterno sonhador, sem papéis, sem educação sem nenhum direito de estar lá. É ele, o explorador de empregos, o único culpado pela infelicidade da profissional brasileira, que foi impedida de entrar na Espanha na semana passada, e que, portanto, não pode participar do congresso como havia planejado.
Me pergunto de quando remete essa crença. Por que culpamos apenas o Brasil quando somos podados do nosso direito de ir e vir? E a Espanha, a Irlanda, a Alemanha ou mesmo os Estados Unidos? Não se aproveitam desses sonhadores? Não alimentam as prostitutas? E, será que não têm a sua parcela de culpa na não realização dos planos da profissional brasileira?
Mesmo não tendo a intenção de ficar aqui definitivamente, tenho vivido como imigrante neste país. Não há dúvida que para a classe média de São Paulo é uma situação bem desagradável. Me deparo constantemente com os meus limites, tanto nas relações desiguais de direitos e de emprego, quanto na falta das boas referências que deixei no meu país. Mesmo assim, não compartilho da idéia predominante entre meus colegas. Não consigo acreditar que essa sensação possa melhorar com o abandono das minhas raízes. Pelo contrário, eu não me conformo! E, sinceramente, por mim, realizaria o desejo de todos. Ficariam por aqui, vivendo a vida que eles chamam de européia. Assim, quando eu voltasse, o Brasil seria um lugar um pouco melhor de se viver. Mas, de vez em quando, eu viria visitá-los e sairíamos para tomar uma Guiness, só pelos velhos tempos. Porque, apesar das diferenças, ainda somos civilizados, e não existem PUBs como os daqui.
“A vida não é um show da Banda Calipso”[i].
To passando por uma fase difícil. Faz frio nesta cidade, estou no quarto emprego (só em 2008), sem dinheiro e sem nada para fazer - se eu pudesse ficava a tarde toda no banho, mas a água quente acaba rápido. Ta vendo? Dá tudo errado!
Com tantos problemas, bate a deprê. Dá uma vontade louca de deixar tudo por aqui e voltar para casa (a lá do Brasil), se possível antes do Carnaval, que é bom também.
Me sinto como o Corinthians. Já sabia que para me virar aqui na Irlanda meu padrão ia cair bastante, que seria mais uma trabalhadora da segunda divisão, mas nunca imaginei empatar com o Sertãozinho.
Sabe que outro dia me pediram 3 anos de experiência para poder me candidatar a uma vaga de Floor Staff (recolher copos e pratos sujos da mesa)? O resultado do jogo não podia ser pior. Apesar de ter tido boas oportunidades de marcar, até agora, em matéria de emprego, 0x0. Com tudo isso o moral fica baixa. Ainda bem que tenho uma torcida ponta-firme.
Depois de um período de “auto-piedade”, voltei para a luta e até aproveitei para registrar os meus últimos desapontamentos. Assinei um manifesto contra o racismo, o fascismo, todo tipo de preconceito e a exploração da mão de obra estrangeira. Foi a primeira vez que alguém me explicou DE-VA-GAR e em inglês qual era o motivo do movimento. Escolhi bem em qual prestar atenção. O protesto deles era o mesmo que o meu.
E você sabe que os Irishs são bem ativos politicamente? Sempre vejo alguma manifestação na rua. Aliás, política e representatividade têm sido os temas mais interessantes. Veja só: Eles são um “nadica de nada” de gente vivendo sob um governo proporcional, que, resumidamente, funciona assim:
Existem aqui pelo menos 6 grandes partidos (os maiores são o Fianna Fáil e o Fine Gael, que, a princípio, são muito parecidos). Como todos têm candidatos próprios, durante as eleições, fica a cargo dos votantes classificá-los em ordem de preferência. Ou seja, nas cédulas existem espaços para que o eleitor indique com números de 1 a 6 quem deverá ocupar as cadeiras do parlamento (o Dáil). Até aí, beleza? Tudo certo? É assim: Número 1 para o político que mais gosta e 6 para o que menos gosta. Entendeu? Então, continuando.
Com os resultados em mãos vem a segunda parte do processo: As alianças. Os partidos podem se unir para compor a maioria. Quem tem a maioria do congresso indica o primeiro ministro, ou Taoiseach. Nas últimas eleições, por exemplo, o Fianna Fáil se juntou com o Partido Verde e garantiu ao seu líder Bertie Ahern seu terceiro mandato.
Uma curiosidade: Ahern é acusado de desvio de dinheiro público, era adúltero (se divorciou recentemente) e é visto frequentemente bebendo nos PUBs de Dublin. É adorado pelos Irlandeses!
Mais uma curiosidade: Um dos principais grupos políticos do país se autodenomina Independente. Ele é formado por dissidentes dos outros partidos (principalmente do FF e FG). E são, conseqüente e obviamente, independentes. Claro!
Curiosidade três: O Sinn Féin (braço direito do IRA antes do cessar fogo) é o único partido que está presente na Irlanda do Norte também. Mas ninguém compõe com ele. Pega mal. Isso eu sei. Todo mundo fala!
Então você veja: Se aqui nem votar é fácil, dá para entender porque é melhor ser corintiano do que procurar emprego em Dublin. Você sofre também, mas pelo menos sabe que cair mais não vai.
[i] Frase de Marcelo Coelho, utilizada, esporadicamente, em sua mensagem pessoal no MSN
Com tantos problemas, bate a deprê. Dá uma vontade louca de deixar tudo por aqui e voltar para casa (a lá do Brasil), se possível antes do Carnaval, que é bom também.
Me sinto como o Corinthians. Já sabia que para me virar aqui na Irlanda meu padrão ia cair bastante, que seria mais uma trabalhadora da segunda divisão, mas nunca imaginei empatar com o Sertãozinho.
Sabe que outro dia me pediram 3 anos de experiência para poder me candidatar a uma vaga de Floor Staff (recolher copos e pratos sujos da mesa)? O resultado do jogo não podia ser pior. Apesar de ter tido boas oportunidades de marcar, até agora, em matéria de emprego, 0x0. Com tudo isso o moral fica baixa. Ainda bem que tenho uma torcida ponta-firme.
Depois de um período de “auto-piedade”, voltei para a luta e até aproveitei para registrar os meus últimos desapontamentos. Assinei um manifesto contra o racismo, o fascismo, todo tipo de preconceito e a exploração da mão de obra estrangeira. Foi a primeira vez que alguém me explicou DE-VA-GAR e em inglês qual era o motivo do movimento. Escolhi bem em qual prestar atenção. O protesto deles era o mesmo que o meu.
E você sabe que os Irishs são bem ativos politicamente? Sempre vejo alguma manifestação na rua. Aliás, política e representatividade têm sido os temas mais interessantes. Veja só: Eles são um “nadica de nada” de gente vivendo sob um governo proporcional, que, resumidamente, funciona assim:
Existem aqui pelo menos 6 grandes partidos (os maiores são o Fianna Fáil e o Fine Gael, que, a princípio, são muito parecidos). Como todos têm candidatos próprios, durante as eleições, fica a cargo dos votantes classificá-los em ordem de preferência. Ou seja, nas cédulas existem espaços para que o eleitor indique com números de 1 a 6 quem deverá ocupar as cadeiras do parlamento (o Dáil). Até aí, beleza? Tudo certo? É assim: Número 1 para o político que mais gosta e 6 para o que menos gosta. Entendeu? Então, continuando.
Com os resultados em mãos vem a segunda parte do processo: As alianças. Os partidos podem se unir para compor a maioria. Quem tem a maioria do congresso indica o primeiro ministro, ou Taoiseach. Nas últimas eleições, por exemplo, o Fianna Fáil se juntou com o Partido Verde e garantiu ao seu líder Bertie Ahern seu terceiro mandato.
Uma curiosidade: Ahern é acusado de desvio de dinheiro público, era adúltero (se divorciou recentemente) e é visto frequentemente bebendo nos PUBs de Dublin. É adorado pelos Irlandeses!
Mais uma curiosidade: Um dos principais grupos políticos do país se autodenomina Independente. Ele é formado por dissidentes dos outros partidos (principalmente do FF e FG). E são, conseqüente e obviamente, independentes. Claro!
Curiosidade três: O Sinn Féin (braço direito do IRA antes do cessar fogo) é o único partido que está presente na Irlanda do Norte também. Mas ninguém compõe com ele. Pega mal. Isso eu sei. Todo mundo fala!
Então você veja: Se aqui nem votar é fácil, dá para entender porque é melhor ser corintiano do que procurar emprego em Dublin. Você sofre também, mas pelo menos sabe que cair mais não vai.
[i] Frase de Marcelo Coelho, utilizada, esporadicamente, em sua mensagem pessoal no MSN
Jobs.ie
A vida aqui em Dublin pode ser definida, hoje, na máxima (que eu sigo com devoção, aliás, adaptação livre de minha autoria): o que não mata e tem cerveja boa e gelada em todo lugar só nos faz mais fortes.
Afinal, parece que tudo que fazemos aqui é arrumar e procurar emprego, não trabalhar.
A referência é sempre o salário mínimo, o maior da Europa, 9.05 euros por hora (acabou de aumentar, até o final de 2007 eram 8.65) e o domínio da língua (quanto maior melhor o tipo de trabalho almejado). No fim das contas, é uma roubada depois da outra. E eu, que não sou exceção, caí em uma das grandes.
Fui ludibriada por uma vaga em uma empresa de Marketing, a única que não usei o meu currículo piorado e mentiroso (o que é curto e grosso e diz que tenho vasta e ótima experiência como babá, vendedora de loja e afins, além de fluência em Inglês, domínio do Espanhol e conhecimentos básicos de Francês). Fiz um teste de três dias, com entrevistas e dinâmicas, fui passando com louvor em cada uma das fases. Lindo! Negociei quatro dias de folga, logo para a segunda semana de contratada, queria ir para a Espanha. Toparam na boa. Com as minhas qualificações (brasileira) fui posicionada em um setor ótimo do negócio. Vendas. Acabei foi batendo em porta em porta vendendo cosméticos “de marca plenamente conhecida nos Estados Unidos, que estava fazendo uma campanha de pré-lançamento na Irlanda com ofertas a preços simbólicos para avaliar a aceitação de seus produtos no país”, completamente MOLHADA, no FRIO ( 3 graus com sensação térmica de -3, segundo Imprensa local), em um bairro longe para dedéu, sem lucro nenhum, sentada no ponto de ônibus, rindo sozinha do absurdo da situação. Fala sério! Só rindo.
Passada a vergonha do episódio, fui tentar ser garçonete em um PUB, até que bem freqüentado, em um bairro nobre de Dublin. Mais um desastre! Para fazer uma história longa, curta, em uma noite fui responsável pelos mais básicos erros na profissão. Derrubei uma garrafa de cerveja em um casal, molhei o chão, não sequei, uma outra garçonete escorregou e caiu. E isso nem foi o pior. Troquei grande parte dos pedidos. Mas, em minha defesa, tive os meus motivos. O primeiro: Irish é tudo igual. Vermelhinho, olho azul, dentes pretos e cara de nurd. O segundo: Não faço a menor idéia dos nomes das bebidas que eles pedem. Conheço a maioria das marcas de cerveja, mas, no mais, não consigo nem reconhecer os sons que eles emitem quando pedem alguma coisa. Se fosse possível, eu poderia depois reproduzir para o tiozinho do bar, e tava tudo certo, nem precisava entender. Mas a situação tomou proporções tão dramáticas que uma mulher (mal amada) anotou o pedido no meu bloco para mim, pois se irritou com o número de vezes que teve que repetir o pedido, tendo só aquela cara de WHAT? como resposta.
Para complicar ainda mais o surrealismo pastelão que fui protagonista, uma das garçonetes encanou que eu estava brava e ficava o tempo todo perguntando por que eu não gostava dela. Alguns dos outros funcionários tentaram mediar o mal-estar. Falaram para eu ter paciência com ela, que, coitada, era meio maluquinha, olha só, “nem conhecia Michael Jackson”. Foi tão ruim que nem me ligaram para dizer que não rolava mais o trampo, era muito óbvio. Depois dessa, tirei a informação que tinha experiência de garçonete do meu currículo piorado e mentiroso.
Afinal, parece que tudo que fazemos aqui é arrumar e procurar emprego, não trabalhar.
A referência é sempre o salário mínimo, o maior da Europa, 9.05 euros por hora (acabou de aumentar, até o final de 2007 eram 8.65) e o domínio da língua (quanto maior melhor o tipo de trabalho almejado). No fim das contas, é uma roubada depois da outra. E eu, que não sou exceção, caí em uma das grandes.
Fui ludibriada por uma vaga em uma empresa de Marketing, a única que não usei o meu currículo piorado e mentiroso (o que é curto e grosso e diz que tenho vasta e ótima experiência como babá, vendedora de loja e afins, além de fluência em Inglês, domínio do Espanhol e conhecimentos básicos de Francês). Fiz um teste de três dias, com entrevistas e dinâmicas, fui passando com louvor em cada uma das fases. Lindo! Negociei quatro dias de folga, logo para a segunda semana de contratada, queria ir para a Espanha. Toparam na boa. Com as minhas qualificações (brasileira) fui posicionada em um setor ótimo do negócio. Vendas. Acabei foi batendo em porta em porta vendendo cosméticos “de marca plenamente conhecida nos Estados Unidos, que estava fazendo uma campanha de pré-lançamento na Irlanda com ofertas a preços simbólicos para avaliar a aceitação de seus produtos no país”, completamente MOLHADA, no FRIO ( 3 graus com sensação térmica de -3, segundo Imprensa local), em um bairro longe para dedéu, sem lucro nenhum, sentada no ponto de ônibus, rindo sozinha do absurdo da situação. Fala sério! Só rindo.
Passada a vergonha do episódio, fui tentar ser garçonete em um PUB, até que bem freqüentado, em um bairro nobre de Dublin. Mais um desastre! Para fazer uma história longa, curta, em uma noite fui responsável pelos mais básicos erros na profissão. Derrubei uma garrafa de cerveja em um casal, molhei o chão, não sequei, uma outra garçonete escorregou e caiu. E isso nem foi o pior. Troquei grande parte dos pedidos. Mas, em minha defesa, tive os meus motivos. O primeiro: Irish é tudo igual. Vermelhinho, olho azul, dentes pretos e cara de nurd. O segundo: Não faço a menor idéia dos nomes das bebidas que eles pedem. Conheço a maioria das marcas de cerveja, mas, no mais, não consigo nem reconhecer os sons que eles emitem quando pedem alguma coisa. Se fosse possível, eu poderia depois reproduzir para o tiozinho do bar, e tava tudo certo, nem precisava entender. Mas a situação tomou proporções tão dramáticas que uma mulher (mal amada) anotou o pedido no meu bloco para mim, pois se irritou com o número de vezes que teve que repetir o pedido, tendo só aquela cara de WHAT? como resposta.
Para complicar ainda mais o surrealismo pastelão que fui protagonista, uma das garçonetes encanou que eu estava brava e ficava o tempo todo perguntando por que eu não gostava dela. Alguns dos outros funcionários tentaram mediar o mal-estar. Falaram para eu ter paciência com ela, que, coitada, era meio maluquinha, olha só, “nem conhecia Michael Jackson”. Foi tão ruim que nem me ligaram para dizer que não rolava mais o trampo, era muito óbvio. Depois dessa, tirei a informação que tinha experiência de garçonete do meu currículo piorado e mentiroso.
Diálogos poéticos (The flat mate part II)
Ficar acordada até tarde tem as suas vantagens. Poder aproveitar boas conversas com os meus colegas de apartamento é uma delas (a outra é que a internet é bem mais rápida do que a tarde, mas isso não vem ao caso agora.). O mais novo deles, Mateo, croata, 26 anos, de temperamento duvidoso, sempre tem bons comentários sobre os últimos acontecimentos da cidade. Então, para dividir com vocês algumas pérolas desse ilustre morador da 48-59 North King Street, ap. 79, Dublin 07, fiz uma seleção com os melhores momentos de hoje:
Quando ele chegou, totalmente out off his bins, como descreveria um dubliner nessas situações, contei que um conhecido meu, gaúcho, havia sido atacado na rua por um grupo de crianças. Ele, brilhantemente concluiu: “como na Croácia a gente teve guerra, estamos acostumados com as pessoas serem quebradas no meio”.
Sobre uma das baladas que ele havia ido nesta noite (disse que foi em 3, o que lhe custou 100 euros) ele comentou: “tinha umas brasileiras gostosas, mas depois da minha decepção amorosa, só vejo as mulheres como objeto sexual”.
E a melhor de todas: “To gostando de morar com duas mulheres, pois, como eu trabalho muito, não tenho tempo para limpar a casa”.
Hoje vou dormir aliviada. Bom saber que estou em boa companhia.
Quando ele chegou, totalmente out off his bins, como descreveria um dubliner nessas situações, contei que um conhecido meu, gaúcho, havia sido atacado na rua por um grupo de crianças. Ele, brilhantemente concluiu: “como na Croácia a gente teve guerra, estamos acostumados com as pessoas serem quebradas no meio”.
Sobre uma das baladas que ele havia ido nesta noite (disse que foi em 3, o que lhe custou 100 euros) ele comentou: “tinha umas brasileiras gostosas, mas depois da minha decepção amorosa, só vejo as mulheres como objeto sexual”.
E a melhor de todas: “To gostando de morar com duas mulheres, pois, como eu trabalho muito, não tenho tempo para limpar a casa”.
Hoje vou dormir aliviada. Bom saber que estou em boa companhia.
The new guy (The flat mate part I)
Mateo, croata, 26 anos, temperamento duvidoso. É obcecado pelo único amor da sua vida, ainda insuperado. Parece que era uma espanhola, aliás, ele é um poliglota. Além da língua materna fala também o idioma da ex. parceira. Aprendeu no tempo que moraram juntos em Barcelona. No entanto, o inglês dele é de compreensão inversamente proporcional ao teor alcoólico no sangue.
Bebe sempre, diz que precisa relaxar. Também, pobrezinho, trabalha demais. 8 horas por dia, em um restaurante que fica longe, 20 minutos a pé de casa, com poucas folgas, só dois dias por semana. Dá para entender a necessidade de um drink ou dez todos os dias depois da labuta.
Mas não é essa a questão. Até porque, se beber fosse o caso, Dublin seria censurado do mapa até que as crianças completassem 18 anos. O problema, na verdade, é a cueca.
Preta e suja. Foi parar na sala por motivos desconhecidos, e ficou por lá, bem entre o sofá e a TV, por 4 dias. Após esse período, foi jogada, com a ajuda de uma vassoura, para um canto, perto do aparelho de som. Ficou lá por mais 2 dias. Passou por tudo, intocada. Mas não superou o sábado a noite. Neste dia tivemos que dar o ponto final nesta história. Com a ajuda de uma pá, foi removida para cima da cama do Mateo, croata, 26 anos, de temperamento duvidoso e dono do objeto (que na minha opinião poderia ter ido direto para o lixo).
Bebe sempre, diz que precisa relaxar. Também, pobrezinho, trabalha demais. 8 horas por dia, em um restaurante que fica longe, 20 minutos a pé de casa, com poucas folgas, só dois dias por semana. Dá para entender a necessidade de um drink ou dez todos os dias depois da labuta.
Mas não é essa a questão. Até porque, se beber fosse o caso, Dublin seria censurado do mapa até que as crianças completassem 18 anos. O problema, na verdade, é a cueca.
Preta e suja. Foi parar na sala por motivos desconhecidos, e ficou por lá, bem entre o sofá e a TV, por 4 dias. Após esse período, foi jogada, com a ajuda de uma vassoura, para um canto, perto do aparelho de som. Ficou lá por mais 2 dias. Passou por tudo, intocada. Mas não superou o sábado a noite. Neste dia tivemos que dar o ponto final nesta história. Com a ajuda de uma pá, foi removida para cima da cama do Mateo, croata, 26 anos, de temperamento duvidoso e dono do objeto (que na minha opinião poderia ter ido direto para o lixo).
Assinar:
Postagens (Atom)