quarta-feira, 29 de julho de 2009

Chiliques do gringo

Conviver com alguém que está aprendendo a língua é muito divertido. Há momentos que o pior dos relatos, as histórias mais tristes, os dramas mais miseráveis são absolutamente hilários. Claro, para quem está ouvindo. Para quem conta, deve ser revoltante.

Mas existe uma situação pior. Os momentos de raiva. Você vai lá fundo para buscar o palavrão ideal e inclui nesse mais eloqüente dos discursos o máximo de emoção possível, procura o tom ideal, tudo com o objetivo de provocar no sujeito de sua indignação as mais dolorosas sensações.

Então, com toda essa adrenalina, com toda a razão dos injustiçados eis que vem um...COCK SUCKER!!!!!!.

Gente, isso não ofende. Aprenda, palavrão tem que ser na língua materna. Não tem jeito.

O gringo percebeu isso logo. Aliás, como a vida de casado exige certa habilidade nesse campo, ele foi rapidamente tratar de aperfeiçoar seu vocabulário de baixo calão.

Sério, se existisse no Guiness a categoria aprendizado mais rápido e completo do mundo, ele já tinha até uma foto na publicação. Brilhante trabalho! Dedicação e disciplina nunca antes vistos na pessoa. Mas, sobrou o sotaque.

Olha, não adianta mandar alguém para aquele lugar se tudo parece um barulho só. Obviamente a entonação mais forte deve ser utilizada na palavra que indica a localização específica em que é tomado. Certo?

E eu não era bem a fonte mais confiável. Ele até me pediu ajuda sobre a questão algumas vezes, mas não obteve muito sucesso. Por exemplo, o dia em que ele me perguntou como se falava annoying (chata) em português. Eu prontamente respondi: Se diz assim, ó amor, presta atenção: FO-FA.

Pode me chamar de espírito de porco. Mas eu declaro que agi em legítima defesa.

E eu achava lindo ele me chamando de fofa com aquela carinha de bravo. Mas, como já era de se imaginar, a farsa não durou muito tempo. Meus amigos discordaram dos meus métodos e, ainda por cima, parece que FOFA não é adjetivo para ser usado por homem macho. Abriram o jogo e contaram toda verdade. Puro preconceito!

Bem, mas voltando ao assunto, só para concluir, o moço fez que fez, que aprendeu a pronúncia correta de pelo menos 80% dos termos pejorativos disponíveis no Brasil. E tem, com formidável eficiência, se apropriado deles no seu dia-a-dia.

É como eu digo: Nada como a necessidade e a prática para o bom aprendizado de uma nova língua. Vocês não acham?

terça-feira, 28 de julho de 2009

HH

O mundo idolatra o empreendedor. A boca se enche de orgulho ao responder uma questão bem comum nas paqueras: “EMPRESÁRIO”.

Depois de proferida a tal palavra, se bem colocada e estrategicamente trabalhada, cria-se imediatamente uma atmosfera absolutamente propícia a criação da magnífica imagem do SUCESSO. Arma poderosíssima na sedução.

Mas, não é só esse prazer que o senhor do próprio emprego experimenta durante o diálogo. Há em cena também os coadjuvantes, que são percebidos pelo objeto da corte como parte do protagonista e fortalecem a AURA que ele com tanto cuidado cultiva. É tudo calculado. As ações e falas desses figurantes servem não só como estímulo, mas se tornam poderosos catalisadores nesta empreitada amorosa.

O nosso conquistador aprecia a inveja desses OUTROS e exibi-se com grande satisfação. Tem em seus valores ser notado. E, por mais que se veja como o altruísta dos altruístas não consegue não julgá-los de certa forma: "São todos iguais!". Mas, não menospreza o valor estratégico dessa existência nesse ambiente. Eles são úteis na sua irrelevância, pois o simples fato de estarem como estão colocam o nosso empreendedor em melhor categoria competitiva.

Em roupas sem graça, bem características do mundo corporativo, que não ousa ou inova no vestuário, os “commodities” engolem um chope. A tentativa é livrar a mente da lembrança das atividades que realizam de segunda a sexta-feira. E, quem sabe, já em seu domínio, depois de um longo banho, serem para seus púbicos de relacionamento artigo de luxo em uma prateleira tão concorrida.